Pesquisa analisou o tempo de atividade física, no lazer e no deslocamento para o trabalho, e sua relação com ocorrência e frequência das crises de dor de cabeça.

"> Exercício em intensidade moderada duas horas e meia por semana pode prevenir enxaqueca | O plano global de saúde da sua família

Bem estar

Exercício em intensidade moderada duas horas e meia por semana pode prevenir enxaqueca

Conhecida há mais de 7.000 anos, a enxaqueca é uma síndrome que afeta grande parte da população do mundo inteiro de forma mais ou menos intensa. Ela é uma forma de cefaleia crônica primária que pode ser definida como uma reação neurovascular anormal que ocorre no organismo e que se exterioriza, clinicamente, por episódios recorrentes de cefaleia e manifestações associadas que geralmente dependem de fatores desencadeantes.

Existem vários tipos de enxaqueca, o que dificulta seu diagnóstico e tratamento, por isso é importante o enxaquecoso reconhecer quais são os fatores desencadeantes da crise e tentar evitá-los ou minimizá-los, adotando mudanças no seu estilo de vida que possam contribuir para uma melhor qualidade de vida.

Benefícios da atividade física

Uma pesquisa publicada na revista científica Cephalagia, verificou o tempo de atividade física e sua relação com a ocorrência e a frequência das crises de dor de cabeça.

A pesquisa aplicou o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nos participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil) que reportaram dores de cabeça na primeira onda do estudo, entre 2008 e 2010. As atividades físicas mais estudadas foram aquelas realizadas no lazer e no deslocamento para o trabalho.

“Na pesquisa, maiores níveis de atividade física apareceram associados a menor ocorrência tanto de cefaleia do tipo tensional quanto de enxaqueca, além de uma menor frequência de crises de dor de cabeça”, relata a médica Alessandra Goulart, do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário (HU) da USP. “No entanto, o estudo também mostrou que a atividade física realizada no caminho para o trabalho está ligada à maior frequência de cefaleia, especificamente a enxaqueca, em mulheres. Nossa hipótese é de que os poluentes do ar, muito presentes em cidades como São Paulo, possam deflagrar essas dores de cabeça.”

A pesquisa verificou ainda a relação entre as cefaleias e o tempo de atividade física recomendado pela OMS para diminuição de risco cardiovascular, que é de 150 minutos semanais em intensidade moderada ou 75 minutos de forma mais vigorosa, no lazer ou no deslocamento para o trabalho. “Em casos de inatividade, quando a pessoa não se exercita ou não vai trabalhar a pé ou de bicicleta, há maior ocorrência de enxaqueca”, aponta. “Entre pessoas pouco ativas, que se movimentam menos tempo que o critério da OMS, há maior ocorrência tanto de dor de cabeça tensional quanto de enxaqueca.”

Quando o tempo de deslocamento foi avaliado separadamente, a inatividade esteve associada à maior ocorrência de cefaleia tensional em homens, porém à menor ocorrência em mulheres. “É possível que, nesses casos, a atividade física do deslocamento não seja tão benéfica quanto a do lazer”, observa. “Isso também pode ter relação com a hipótese da inadequação do ambiente motivada pela poluição do ar em grandes áreas urbanas.”

No lazer, a atividade física vigorosa, porém abaixo do tempo recomendado, está relacionada à maior ocorrência de enxaqueca em mulheres. “Nesse caso, é possível que haja influência de fatores hormonais, como, por exemplo, tensão pré-menstrual”, diz. A inatividade esteve associada à maior frequência de ambas as formas de dor de cabeça. “A recomendação do estudo é a realização de exercícios no lazer, com intensidade moderada, 150 minutos por semana, para prevenir e diminuir a frequência e a intensidade das crises de cefaleia.”

Fonte: https://periodicos.unicesumar.edu.br/   -   https://jornal.usp.br/

Voltar para listagem